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Transparência

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Mais um texto maravilhoso, desta vez da não menos talentosa jornalista e escritora Rosana Braga.
Beijos carinhosos...

Deixe aflorar toda a sua doçura!

Às vezes, fico me perguntando porque é tão difícil ser transparente... Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros. Mas ser transparente é muito mais do que isso.
É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que a gente sente... Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as máscaras, baixar as armas, destruir os imensos e grossos muros que insistimos tanto em nos empenhar para levantar...
Ser transparente é permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde! Mas infelizmente, quase sempre, a maioria de nós decide não correr esse risco. Preferimos a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana.
Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam do mais profundo de nosso ser... Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas a simplesmente nos entregar e admitir que não sabemos, que temos medo!
Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção...

E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos... Não porque sejamos pessoas mentirosas, mas apenas porque nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado...
Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar... doçura, compaixão... a compreensão de que todos nós sofremos, nos sentimos sós, imensamente tristes e choramos baixinho antes de dormir, num silêncio que nos remete a uma saudade desesperada de nós mesmos... daquilo que pulsa e grita dentro de nós, mas que não temos coragem de mostrar àqueles que mais amamos!

Porque, infelizmente, aprendemos que é melhor revidar, descontar, agredir, acusar, criticar e julgar do que simplesmente dizer: “você está me machucando... pode parar, por favor!”. Porque aprendemos que dizer isso é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro. Quando, na verdade, se agíssemos com o coração, poderíamos evitar tanta dor, tanta dor...

Sugiro que deixemos explodir toda a nossa doçura! Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencíveis...
Que consigamos não tentar controlar tanto, responder tanto, competir tanto... Que consigamos docemente viver... sentir, amar...

Rosana Braga

4 Comentários Adicionar Comentário

Polêmica :

Que belo texto!
Ser tansparente é sermos honestos com nós mesmos e assumir nossas fragilidades, fraquezas. Não é só sair por aí falando tudo o que você pensa, mas é também ter atitudes sinceras e transparentes, é ter um olhar que revela verdadeiramente o que você é.

Beijão!

Belatrix :

Oi Juliana!
Anos atrás, esse texto serviu pra mim como uma luva... Foi um verdadeiro chacoalhão!
De nada adianta a gente aparentar ser uma fortaleza quando na verdade estamos desabando por dentro...
Beijo pra você também!

Renato Okano :

Eu ainda estou me debatendo com a verdade do texto e a crueza da vida. A transparência, essa condição idealizada, seria o melhor dos mundos. E, se me debato, é por causa das surras que a vida nos dá, quando aqueles que nos conhecem bem intimamente são os que sabem onde nos apunhalar. Então, sejamos seletivos (ao menos eu sou): somente a algumas pessoas me mostro como realmente sou (e nestas mal digitadas).
Mas é uma grande frustração, talvez decorrente de uma vida mal vivida. Seria muito edificante poder enfrentar a vida sem máscaras (a propósito, este texto da Marina Colasanti): http://renatookano.blogspot.com/2007/03/este-um-texto-que-anda-bastante-pela.html.

Ah, estou sempre por aqui. Como disse, adorei este espaço.

Beijos

Belatrix :

Pois é Renato! Surras eu também já levei e não foram poucas (tanto do lado profissional como do pessoal), mas teve um momento em que precisei escolher...
Hoje eu me permito não carregar alguns sentimentos não tão nobres assim e com isso ouso dizer que tenho o coração bem mais leve e sereno!
Beijos pra você também! Amei o texto no seu blog!

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