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Textos Falsos - Parte 4

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O texto de hoje tornou-se famoso por ter sua autoria atribuída equivocadamente a Charles Chaplin e passou a ser divulgado (depois de algumas modificações e adaptações), com vários títulos diferentes: "Já perdoei erros quase imperdoáveis", "Já...", "Vida", etc.

Dando um passeio pelo extenso território do São Google, descobri informações interessantíssimas!
Mas primeiro, vamos ao poema!

VIDA

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas
que eu nunca pensei que iriam me decepcionar,
mas também já decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
e amigos que eu nunca mais vi.

Amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
e quebrei a cara muitas vezes!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi!
E ainda vivo!
Não passo pela vida.
E você também não deveria passar!

Viva!!

Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" para ser insignificante.


Um desabafo escrito com o coração, por um até então desconhecido poeta, escritor e compositor brasileiro chamado AUGUSTO BRANCO, nascido em Porto Velho/RO, que se autodefine como “Apenas um cara no caminho...” em seus blogs Augusto Branco e A grandeza que há em cada um. Sobre a autoria do poema Vida, ele mesmo descreve em seu blog como ocorreu essa sucessão de equívocos com o texto.

Aqui também podemos encontrar valiosas informações comprovadas pela Miriam, que “fez um trabalho de investigação digno de Agatha Christie!”, nas palavras do próprio Augusto.
Vale a pena dar uma passadinha e conferir o que ela escreveu lá.
Tem muito a esclarecer e acrescentar!

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Prêmio Dardos

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Um tanto quanto atrasada, quero agradecer o selo que recebi da minha querida "teacher" do Blogger'SPhera. Fiquei lisonjeada e muito feliz!

Sobre o selo:

Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.

As regras são as seguintes:

1) Exibir a imagem do selo;
2) Linkar o blog pelo qual você recebeu a indicação;
3) Escolher 12 outros blogs a quem entregar o Prêmio Dardos;
4) Informar os indicados.

Vou ser diferente e contrariar os ítens 3 e 4 pois esse selo já passou e repassou na blogosfera inteira! Fiquei perdida porque todo mundo que conheço já recebeu esse selo e não vou ser indelicada de repassar novamente, embora considere um grande elogio...
Agradecendo mais uma vez o carinho e a lembrança da Rô, convido vocês a visitarem o Olhar Feminino, um blog de variedades e notícias, onde ela é uma das editoras. Vale a pena conhecer!

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Confuso

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O consumidor acordou confuso. Saíam torradas do seu rádio-despertador. De onde saía então - quis descobrir - uma voz do locutor? Saía do fogão elétrico, na cozinha, onde a empregada, apavorada, recuara até a parede e, sem querer, ligara o interruptor da luz, fazendo funcionar o gravador na sala. O consumidor confuso sacudiu a cabeça, desligou o fogão e o interruptor, saiu da cozinha, entrou o banheiro e ligou seu barbeador elétrico. Nada aconteceu. Investigou e descobriu que a sua mulher, na cama, é que estava ligada e zunia como um barbeador. Abriu uma torneira do banheiro para lavar o sono do rosto. Talvez aquilo tudo fosse só o resto de um pesadelo. Pela torneira jorrou um café instantâneo.

Confuso, o consumidor escovou os dentes com o novo desodorante e sentou na tampa da privada - fazendo soar a campainha da porta - para pensar. Acendeu um batom Roxo Purple (nova sensação), da mulher. O que estaria acontecendo? Resolveu telefonar para o amigo. Saiu do banheiro e foi para a sala.
Quando girou o disco do telefone a televisão a cores começou a funcionar. Pensou com rapidez. Foi até o televisor e, no selecionador de canais, discou o número do amigo. Saiu laranjada do telefone. Apagou o batom num cinzeiro e voltou para o quarto. A mulher acabava de acordar e, sonolenta caminhava na direção do banheiro. Viu a mulher fechar a porta do banheiro e dali a pouco ouviu a campainha da porta tocar de novo. Esperou.

Quando a mulher abriu a porta do banheiro e, confusa, lhe disse, "Querido..." ele antecipou:
- Já sei. Saiu café da torneira da pia.
- Não. Liguei o chuveiro e uma voz disse "Alô?"
Era o amigo.
- Deixe que eu falo com ele.
Foi até o chuveiro falar com o amigo. Contou tudo que estava acontecendo. O amigo disse que na sua casa era a mesma coisa, saía música do condicionador de ar e a televisão corria atrás das crianças dizendo bandalheira; era o fim do mundo.

Foi quando o consumidor, confuso, viu que o novo secador de cabelo descia sozinho da sua prateleira, atravessava o chão do banheiro como um pequeno mas decidido tanque e saía pela porta. Disse para o amigo que o chamaria de volta, desligou o chuveiro e saiu correndo. O secador encaminhava-se lentamente para a cozinha, onde a mulher e a empregada, assustadas, testavam todas as utilidades domésticas. A janela da máquina de lavar roupa trasmitia o padrão do canal 10, e o fogão, agora, dava o noticiário das oito. O consumidor chegou a tempo de evitar que o secador atacasse sua mulher por trás. Atirou o secador com força contra a parede. Ouviu-se um berro de dor e fúria partindo dos alto-falantes do estéreo, na sala, e ao mesmo tempo a geladeira começou a movimentar-se pesadamente na direção do consumidor, da mulher e da empregada.

- A chave! - gritou o consumidor.
Saíram todos correndo pela porta da cozinha. Chegaram até a chave geral. O consumidor abriu a portinhola, puxou a alavanca e ouviu nitidamente que se ligava o motor do Dodge Dart na garagem. O melhor era fugir!
Correram para a garagem, entraram no carro, o consumidor botou em primeira, apertou o acelerador e um Boeing caiu em cima da casa.

Luis Fernando Verissimo (Coleção: "Para Gostar de Ler - Volume 7" - Editora Ática - 1981)

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Eu me Amo!

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Conversando com uma querida amiga, ela me contava sobre o filho de um amigo que numa crise clara de ausência de auto-estima falava em mudar, sair do país, se afastar de tudo e de todos. Não consegui parar de pensar nisso.
Um menino ainda... Vinte e cinco anos e absolutamente melancólico por não ter uma namorada, por achar que nunca mais irá amar novamente, por crer que não terá mais felicidade. Acredita que saindo daqui abandonará todos os seus problemas (como se pudesse se libertar de si mesmo, porque viajar pode até fazer bem, mas se não cuidar do seu interior, quando voltar o problema estará lá, sentado na sua sala, tomando da sua cerveja e vendo a sua TV).

Fiquei aqui pensando como certos padrões estabelecidos (hipocritamente, diga-se de passagem), podem fazer com que uma pessoa torne-se frágil, fraca... Esse negócio de achar que a felicidade só é possível com a ausência de problemas, com a retribuição do amor que damos, está totalmente ligado à juventude, fase onde quem passou de determinada idade sem um grande amor está fadado à solidão e à tristeza. Cobram o fato de uma menina não ter um namorado sério aos 25 anos, cobram decisões de vida de um menino de 18 anos ao obrigá-lo a escolher o que fará pro resto de sua vida e o recriminam se resolve seguir seus sonhos aos 40. Cobram que sejam bonitos, magros, héteros, inteligentes, generosos, praticamente perfeitos dentro do exemplo de perfeição que criaram. Essas cobranças vêm da sociedade, família, amigos... Tenho verdadeiro horror a isso!

Eu acredito em algo muito, mas muito maior! Na minha fase de juventude não deixei de amar porque meu último amor me abandonou ou não me quis, ou simplesmente porque não deu certo. Eu sei que a gente não veio ao mundo pra ser sozinho, mas não creio que exista um prazo de validade pra isso: ou encontra o amor da sua vida até os 30 ou terá que se contentar com o que vier, se vier. Fora isso, quantas pessoas recomeçam suas vidas aos 30, 40, 50 e porque não dizer aos 60 anos?!
E tem mais... A vida é um baita presente! A gente pode recomeçar a cada manhã e isso é maravilhoso! Não deu certo? Refaça. Errou? Conserte. É assim. Nada é eterno, nada é imutável, exceto a certeza da morte e nesse meio tempo, Deus do céu, vivam! Sejam felizes!

Problemas são inevitáveis, mas sofrimento é opcional. Eu tenho problemas. Vários. Mas nenhum deles me fez desistir de mim mesma. Nem o câncer de mama que eu tive há três anos. Nada, nem ninguém vai me fazer perder a confiança no meu propósito de ser feliz. Auto-piedade só me jogará pra baixo. Eu sei quem sou. Eu sei do meu valor. E eu gosto muito de mim pra deixar que os problemas me levem ao fundo do poço...
Talvez seja esse o segredo: auto-estima e amor-próprio.
Dica do dia? Amem-se. Somos o nosso maior e mais importante patrimônio!
Beijos em vocês!!!

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Vingança

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Ela passou o primeiro dia empacotando todos os seus pertences em caixas, engradados e malas.
No segundo dia, ela chamou os homens da transportadora que levaram a mudança.
No terceiro dia, ela se sentou pela última vez na bela mesa da sala de jantar, à luz de velas, pôs uma música suave e se deliciou com uns camarões, um pote de caviar e um garrafa de Chardonnay.
Quando terminou, foi a cada um dos aposentos e colocou alguns pedaços de casca de camarão, besuntados com caviar, nas cavidades dos varões das cortinas. Depois ela limpou a cozinha e se foi.

Mais tarde seu ex-marido chegou com a nova namorada; tudo estava tudo muito bem arrumado, cheirando a limpeza.
Depois, pouco a pouco, a casa começou a feder.
Eles tentaram de tudo: limparam, lavaram e arejaram a casa.
Todas as aberturas de ventilação foram verificadas à procura de possíveis ratos mortos e os tapetes foram limpos com vapor.
Desodorantes de ar e ambiente foram pendurados em todos os lugares.
A empresa de combate a insetos foi chamada para colocar gás em todos os encanamentos. Durante alguns dias eles tiverem de sair da casa, e no fim ainda tiveram de pagar para substituir o caríssimo carpete de lã.
Nada funcionou.

As pessoas pararam de visitá-los...
Os funcionários das empresas de consertos se recusavam a trabalhar na casa...
A empregada se demitiu...
Finalmente, eles não suportavam mais o fedor e decidiram se mudar.
Um mês depois, apesar de terem reduzido o valor da casa em 50%, eles não conseguiram um comprador para a casa fedorenta.
A notícia se espalhava e nem mesmo corretores de imóveis locais retornavam as ligações.
Finalmente, eles tiveram de fazer um grande empréstimo do banco para comprar uma casa nova.

A ex-esposa ligou para o ex-marido e perguntou como andavam as coisas.
Ele contou a ela o martírio da casa podre.
Ela escutou pacientemente e disse que sentia muitas saudades da casa antiga e que estaria disposta a reduzir a parte que lhe caberia do acordo de separação dos bens em troca da casa.
Sabendo que a ex-mulher não tinha idéia de como estava o fedor, ele concordou com um preço que era cerca de 1/10 do que valeria a casa.
Mas só se ela assinasse os papéis naquele dia mesmo.
Ela concordou e em menos de uma hora, os advogados dele entregavam os documentos a ela.
Uma semana depois, o homem e sua namorada assistiam, com um sorriso malicioso, os homens da mudança empacotando tudo para levar para a sua nova casa...
incluindo os varões das cortinas!!!

(Autoria desconhecida)

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Lua Adversa

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(A vida é sinuosa. Às vezes, o desencontro com alguém é um encontro conosco. Às vezes, nos desencontramos completamente para preservar um encontro com outra pessoa. E às vezes os encontros perdem a hora...)

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Cecília Meireles (Viagem & Vaga Música - Editora Nova Fronteira)

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Infeliz em Público

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O sofrimento, excetuando-se o que traz de dor, tem um certo glamour, é cinematográfico.

Cena 1: você atravessa a madrugada escutando músicas antigas, fumando dois maços e revendo fotos.

Cena 2: você se trancafia no banheiro, senta sobre a tampa do vaso sanitário e dissolve-se de tanto chorar.

Cena 3: você se revira na cama sem conseguir pregar o olho, pensando, lembrando, doendo.

Cena 4: você caminha por uma rua da cidade, sem rumo, parando para uma cerveja num boteco estranho, onde ninguém lhe conhece – que bom ser invisível.

Se é pra sofrer, que seja sozinho, onde seu rosto possa estampar desalento, inchaços, nariz vermelho, olhar perdido, boca crispada. Se é pra sofrer, que o corpo possa verter, vergar, amolecer. Se é pra sofrer, que possa ser descabelado, que possa ser de pés descalços, que possa ser em silêncio.

Que os demônios levem pro inferno aquele que bate à nossa porta bem no meio da nossa fossa, aquele que telefona bem no auge das nossas lágrimas, aquele que nos puxa para uma festa obrigatória. Malditos todos aqueles com quem não podemos compartilhar nossa dor, e nos obrigam a fingir que nada está se passando dentro da gente.

Disfarçar um sofrimento é trabalho de Hércules. Um prêmio para todos aqueles que conseguem fazer com que os outros não percebam sua falta de ânimo nos momentos em que ânimo é tudo o que esperam de nós: nas ceias de Natal, jantares em família, reuniões de trabalho. Você não quer estar ali, quer estar em Marte, quer estar em qualquer lugar onde não seja obrigado a sorrir.

Há sempre o momento de pedir ajuda, de se abrir, de tentar sair do buraco. Mas, antes, é imprescindível passar por uma certa reclusão. Fechar-se em si, reconhecer a dor e aprender com ela. Enfrentá-la sem atuações. Deixar ela escapar pelo nariz, pelos olhos, deixar ela vazar pelo corpo todo, sem pudores. Assim como protegemos nossa felicidade, temos também que proteger nossa infelicidade. Não há nada mais desgastante do que uma alegria forçada. Se você está infeliz, recolha-se, não suba ao palco. Disfarçar a dor é dor ainda maior.

Martha Medeiros

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